Goiânia foi palco de um encontro que mostrou que a moda vai muito além das roupas que vestimos. Realizado na quinta-feira, 15 de outubro, na Cúpula do Flamboyant Shopping, o Flamboyant Fashion Experience reuniu tendências, desfiles, grandes marcas, profissionais do mercado fashion e influenciadores em uma programação dedicada à relação entre estilo, comportamento e identidade.
Ao longo do evento, o público acompanhou conversas sobre as referências que chegam das principais semanas de moda do mundo, descobriu diferentes interpretações das tendências e conferiu apresentações de coleções de marcas presentes no shopping. Além de apresentar novidades, o encontro também colocou em pauta uma questão cada vez mais relevante: em um mundo repleto de referências e estímulos nas redes sociais, como construir um estilo próprio sem perder a autenticidade?
O Nosso Bloco acompanhou a programação de perto para trazer os momentos que marcaram a edição e as principais reflexões de quem realmente vive o universo da moda.

Flamboyant Fashion Experience aproxima as tendências internacionais do estilo pessoal
A moda contemporânea se alimenta de referências que circulam entre diferentes culturas, passarelas e plataformas digitais. Entretanto, uma tendência não precisa ser reproduzida exatamente como aparece em um desfile para fazer parte do guarda-roupa de alguém. Essa foi uma das ideias centrais do encontro conduzido por Manu Louza e Bárbara Oberg, que discutiram a passagem das referências internacionais para as escolhas individuais. A conversa abordou como as novidades apresentadas em semanas de moda como as de Paris e Milão são reinterpretadas de acordo com a personalidade, o comportamento, a identidade de cada pessoa e até o país/região a qual pertence.

Entre os elementos comentados estavam cabelos com o frizz assumido, que a Prada trouxe recentemente para as passarelas, além da lingerie aparente, maquiagens mais marcadas, feminilidade e claro, a tendência equestre. O bate-papo também ajudou a desfazer a ideia de que acompanhar tendências significa simplesmente reproduzir o que aparece nas passarelas. De forma prática, restou a ideia de que o estilo se constrói por meio de escolhas: uma peça pode ser incorporada de maneira discreta, ganhar protagonismo em uma produção ou sequer fazer sentido para determinada pessoa.

A programação também reservou espaço para os desfiles, que transformaram a Cúpula do Flamboyant em um ambiente de apresentação de coleções e experimentação visual. Entre os destaques, a Le Lis apresentou uma proposta de sofisticação contemporânea, com composições que valorizam silhuetas, texturas e combinações capazes de transitar por diferentes ocasiões.
Marcas como Cia. Marítima, Carol Bassi e NV em parceria com a Swarovski também desfilaram as suas novas coleções, as apresentações reforçaram a identidade de cada marca no cenário da moda. Durante o evento, Manu Louza, CEO do Grupo Flamboyant, também vestiu diferentes looks, evidenciando produções e peças das marcas presentes no shopping.

Outra iniciativa que aproximou o público da experiência proposta foi a divulgação das escolhas dos integrantes do Squad Flamboyant. Farley Mattos, Izabella Perillo, Rodolpho Rodrigo e Kamila Branquinho receberam a missão de explorar marcas e tendências dentro do shopping e trazerem uma curadoria exclusiva de produtos diversos como acessórios, joias, roupas, sapatos, objetos para a casa e decoração. A seleção permitiu ao público alcançar produtos de diferentes lojas sob perspectivas distintas, tornando a experiência mais próxima de quem deseja descobrir novas possibilidades, além de ser uma forma divertida de conhecer produtos de diferentes marcas.

Guilherme de Beauharnais e Squad Flamboyant debatem influência e autenticidade
Um dos momentos de destaque foi o talk “Quem influencia quem?”, conduzido por Guilherme de Beauharnais, editor de moda da Harper’s Bazaar Brasil, com a participação do Squad Flamboyant, formado por Farley Mattos, Kamila Branquinho, Rodolpho Rodrigo e Izabella Perillo.
A conversa trouxe uma reflexão sobre como as tendências se transformam em desejo, de que maneira as referências influenciam o consumo e qual é a responsabilidade de quem ocupa espaço nas redes sociais. Em um cenário no qual a exposição digital faz parte da rotina de milhões de pessoas, os participantes destacaram que influenciar vai muito além de apresentar roupas, produtos ou combinações. A construção de uma relação de confiança com o público também exige coerência, responsabilidade e conhecimento sobre o que é transmitido.

Rodolpho Rodrigo: autenticidade em tempos de exposição digital
Responsável por assinar looks de diversas personalidades conhecidas, entre elas Virginia Fonseca, Rodolpho Rodrigo chamou a atenção para a necessidade de compreender que nem toda tendência funciona para todas as pessoas. Durante a conversa, ele resumiu essa percepção com a frase: “Existe de tudo, mas não é para todos”.
A declaração sintetiza um dos principais desafios da moda atual: conviver com uma quantidade infinita de referências sem transformar cada novidade em uma obrigação de consumo. Rodolpho também destacou que não é mais possível sustentar uma imagem artificial nas redes sociais: “Não dá mais para ser fake”, ponderou.

Farley Mattos destaca a conexão como base da influência
Para Farley Mattos, a palavra que melhor define a influência é conexão. A reflexão trouxe o debate para além da aparência e dos números nas plataformas digitais. Mais do que alcançar pessoas, influenciar significa estabelecer uma relação com o público e compreender que aquilo que é comunicado pode interferir em escolhas, comportamentos e decisões de consumo.
A perspectiva reforça uma mudança importante no mercado de influência: a relevância de um comunicador não se resume à visibilidade. A forma como ele se relaciona com o público e a responsabilidade com que utiliza seu espaço também fazem parte dessa construção.

Izabella Perillo defende discernimento diante de tantas referências
Izabella Perillo chamou a atenção para um paradoxo da moda contemporânea: embora a variedade de referências amplie as possibilidades de expressão, o excesso de informações também pode dificultar a construção de uma identidade própria.
Na avaliação da influenciadora, saber escolher é fundamental. Isso vale para roupas, tendências e também para o consumo de produtos apresentados nas redes sociais. Sua contribuição dialogou com a reflexão de Rodolpho Rodrigo sobre a importância de reconhecer que nem tudo o que está em evidência precisa fazer parte do estilo pessoal. Em vez de adotar automaticamente aquilo que ganha popularidade, a proposta é desenvolver discernimento para identificar o que faz sentido para cada pessoa.

Kamila Branquinho fala sobre identidade e escolhas de consumo
Kamila Branquinho também trouxe sua visão sobre o papel dos influenciadores na moda e na formação de hábitos de consumo. Ao abordar o assunto, ela ressaltou a importância de conhecer o próprio estilo e buscar referências que contribuam para expressar a individualidade, sem depender exclusivamente das tendências do momento. A reflexão reforçou um dos pontos que atravessaram o debate: a moda pode ser uma ferramenta de expressão, mas a construção de uma identidade não deve ficar subordinada à necessidade de incorporar à própria vida tudo o que aparece nas redes sociais.
Ao compartilhar sua visão profissional, Guilherme de Beauharnais destacou a curadoria como parte essencial do trabalho de um editor de moda. Em meio à multiplicidade de referências, acontecimentos e novidades, selecionar o que merece atenção e apresentar essas informações de maneira contextualizada é uma tarefa fundamental.
Essa função ajuda o público a compreender não apenas o que está em evidência, mas também os movimentos culturais e comportamentais que dão significado às tendências. A discussão ampliou o entendimento sobre o trabalho editorial, mostrando que a moda envolve pesquisa, interpretação e seleção de referências e não apenas a apresentação de produtos ou coleções.

Squad Flamboyant responde
Na parte final do talk, Guilherme de Beauharnais propôs uma dinâmica de perguntas rápidas no estilo “ping pong” que começou com o desafio para que os integrantes do Squad Flamboyant apontassem tendências que, na avaliação de cada um, chegaram e ainda seguirão por um tempo.
As respostas revelaram diferentes leituras sobre as cores e os elementos que continuam despertando interesse no universo fashion. Rodolpho Rodrigo destacou as cores e o color blocking, técnica que combina blocos de cores contrastantes em uma mesma produção. A proposta permite criar composições expressivas e explorar combinações que fogem das escolhas mais convencionais.
Já Farley Mattos apostou no marsala, tonalidade profunda entre o vermelho e o vinho, como uma alternativa marcante para compor diferentes looks. Além de ser a sua cor favorita, Farley ainda apostou que o marsala seria o new black da temporada.
Para Kamila Branquinho, as franjas despontam como um elemento que continua encontrando espaço na moda, acrescentando movimento e personalidade às produções.
A influenciadora Izabella Perillo destacou o marrom como uma cor com potencial para ocupar o espaço tradicionalmente associado ao preto em determinadas combinações. A tonalidade permite composições que vão dos visuais mais discretos aos mais sofisticados, dependendo das peças e dos acessórios escolhidos.

Quando o assunto passou para aquilo que já não deveria mais ser usado, a conversa ganhou um tom descontraído e revelou um consenso entre os participantes: é difícil afirmar que determinada peça deixou definitivamente de fazer sentido.
Farley Mattos compartilhou a própria experiência ao contar que, não gostava de botas e não costumava usar esse tipo de calçado. Com o tempo, porém, passou a incorporá-las ao guarda-roupa e brincou que ainda há espaço no closet para novos pares.
O exemplo ilustrou como as preferências pessoais podem mudar e como a relação com a moda não precisa permanecer estática. Uma peça que não agrada em determinado momento pode ganhar outro significado no futuro, seja por uma mudança de gosto, por uma nova combinação ou por uma transformação na maneira de enxergar o próprio estilo.
Flamboyant Fashion Experience transforma a Cúpula em espaço de moda e convivência
Enquanto os desfiles aconteciam na Cúpula do shopping, a rotina do empreendimento seguia normalmente. Clientes circulavam pelos corredores, faziam compras, frequentavam os restaurantes e acompanhavam as apresentações ao vivo. A integração entre o evento e a movimentação cotidiana do shopping criou uma experiência que aproximou o universo fashion de diferentes públicos, inclusive de pessoas que não estavam necessariamente no local apenas para assistir aos desfiles.

A programação permitiu observar a moda em um contexto mais amplo: não apenas como uma apresentação de coleções, mas como parte da experiência de consumo, lazer e convivência. A organização e a dinâmica da edição também foram elogiadas por participantes ouvidos nos bastidores pela redação do Nosso Bloco. Os comentários destacaram a experiência proporcionada pelo evento e a possibilidade de reunir profissionais, marcas, influenciadores, clientes e o público em geral em torno do interesse comum pelo universo da moda.
A presença de diferentes perfis tornou o encontro especialmente interessante. De um lado, profissionais que acompanham as transformações do mercado; de outro, consumidores que buscam referências para interpretar as novidades de acordo com suas preferências.

A presença de Goiás no circuito nacional da moda
A realização do Flamboyant Fashion Experience também evidencia o espaço que Goiânia ocupa na conexão entre consumo, marcas e experiências ligadas à moda. Ao reunir profissionais do setor, nomes ligados à imprensa especializada, influenciadores e apresentações de marcas importantes, o evento cria oportunidades para aproximar o mercado regional de discussões que circulam pelos principais centros internacionais de moda.
Essa aproximação, entretanto, não precisa significar uma reprodução automática do que acontece em Paris ou Milão. O desafio está justamente em interpretar as referências globais a partir da realidade local, considerando os hábitos, as preferências e a identidade do público goiano. Essa foi uma questão que restou destacada durante o evento.
Nessa esteira, a moda produzida, apresentada e consumida em Goiás também participa da construção de um cenário nacional mais diverso, no qual diferentes regiões contribuem com seus repertórios e maneiras de compreender o estilo. O Flamboyant Fashion Experience reforça essa perspectiva ao combinar desfiles, conversas e experiências de compra em uma programação que valoriza tanto as tendências quanto a interpretação individual.

Ao reunir desfiles, talks e encontros entre profissionais de diferentes áreas, o Flamboyant Fashion Experience mostrou que a moda pode ser entendida como uma linguagem que ultrapassa a aparência. As roupas comunicam preferências, referências e estados de espírito. Os acessórios ajudam a compor narrativas pessoais. E as tendências, quando interpretadas de maneira consciente, oferecem possibilidades para experimentar e renovar o estilo, bem como o espaço que habitamos.

O saldo de mais uma edição de sucesso do Flamboyant Fashion Experience é claro: o Centro-Oeste tem um mercado de moda crescente, sofisticado e vibrante. Com organização elogiada pelos participantes, o Grupo Flamboyant coloca a região na rota dos grandes acontecimentos do setor no país e reafirma que o estado de Goiás tem conhecimento técnico e dinamismo para conversar de igual para igual com os grandes centros da moda. Mais do que uma experiência sensorial, o que ficou foi a prova de que o cerrado goiano pulsa estilo, identidade cultural e potência econômica.
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