Lula defende endurecer penas contra o feminicídio em meio a desgaste de Flávio Bolsonaro com mulheres

No dia 2 de julho de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra a violência...

Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República

No dia 2 de julho de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra a violência de gênero e defendeu abertamente o aumento de pena para quem cometer o crime de feminicídio. A declaração foi feita em Luís Gomes (RN), durante a inauguração do Túnel Major Sales.

A fala do presidente ocorre em um momento estratégico e de forte tensão de bastidores na corrida eleitoral. Enquanto o governo federal tenta consolidar o Pacto contra o Feminicídio, o principal bloco de oposição lida com o desgaste da imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perante o eleitorado feminino, após uma série de atritos públicos envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O discurso de Lula e o Pacto contra o Feminicídio

Durante o evento no Rio Grande do Norte, ao lado da governadora Fátima Bezerra (PT), Lula adotou um discurso fortemente punitivista, uma retórica historicamente mais comum entre alas da direita, mas que tem sido encampada pelo Planalto na pauta de segurança pública para mulheres.

O presidente detalhou que as medidas de proteção e repressão precisam ser imediatas e severas para conter os índices alarmantes no país.

“Nós estamos fazendo o Pacto contra o Feminicídio. E vamos endurecer. O cidadão que bater na mulher vai ter que ser punido, vai ter que utilizar tornozeleira e, se a mulher quiser, não vai nem encostar mais perto da mulher. E aumentar a pena para quem mata mulher”, afirmou Lula.

A coordenação desse pacto nacional, que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF), a Câmara e o Senado, está sob a liderança direta da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja. Em tom enfático, o mandatário cobrou uma mudança cultural imediata dos homens: “Todo homem precisa saber que só existimos porque nascemos de uma mulher.”

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Educação como chave para a independência feminina

Ainda cumprindo a agenda de viagens pelo Nordeste antes do prazo final imposto pela legislação eleitoral para inaugurações de obras, Lula também passou pelo Ceará. No estado vizinho, o foco do discurso migrou da punição para a prevenção e autonomia financeira das mulheres.

O presidente associou diretamente o investimento nos estudos como principal ferramenta para quebrar ciclos de violência doméstica. Segundo ele, a formação acadêmica e profissional confere às mulheres o poder de decisão sobre as suas próprias vidas.

“Para as mulheres, a educação é uma coisa a mais. É uma coisa chamada independência. Porque ninguém pode viver com um homem por causa de um prato de comida ou por causa de um aluguel. A gente mora com quem a gente quiser, se a gente gostar da pessoa e se a pessoa tratar a gente bem”, defendeu o presidente.

O cenário de desgaste na oposição: o caso Flávio e Michelle Bolsonaro

O aceno contundente do governo ao eleitorado feminino coincide cronologicamente com uma crise interna no Partido Liberal (PL). Na véspera do discurso de Lula, o senador Flávio Bolsonaro participou de uma reunião com lideranças femininas de seu partido na tentativa de estancar a perda de apoio entre as eleitoras.

O desgaste ganhou força após um desabafo público de Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama acusou Flávio de tê-la “humilhado e maltratado” durante uma ligação telefônica motivada por divergências políticas e republicações na internet que envolviam aliados do senador.

Flávio Bolsonaro tentou minimizar o episódio, afirmando que a ex-primeira-dama estava “mal informada” e reforçando publicamente que a respeita. Contudo, analistas políticos apontam que o episódio fragilizou a interlocução do parlamentar e de sua pré-campanha presidencial com uma fatia crucial de votos para as eleições de outubro.

Estatísticas de violência contra a mulher no Brasil preocupam

A urgência por trás do endurecimento das leis se justifica nos dados oficiais. De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil registrou 399 vítimas de feminicídio apenas no primeiro trimestre de 2026.

Isso significa que, em média, uma mulher foi assassinada a cada 5 horas e 25 minutos no país devido ao seu gênero entre janeiro e março. Com a proximidade do pleito eleitoral, o combate à violência doméstica se consolida não apenas como uma urgência social crônica, mas como um dos principais eixos de debate e disputa de narrativa entre os candidatos.

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