TDAH e TEA em mulheres adultas: por que o diagnóstico costuma vir tão tarde?

Durante muito tempo, quando se falava em TDAH ou autismo, a imagem mais comum era a de meninos com comportamentos...

Foto: Mirian Santana Fotografia / Janaina Alves

Durante muito tempo, quando se falava em TDAH ou autismo, a imagem mais comum era a de meninos com comportamentos mais evidentes. E isso fez com que muitas meninas crescessem sem que ninguém percebesse que algumas dificuldades poderiam estar relacionadas a essas condições. Nas mulheres, os sinais podem aparecer de uma forma mais discreta.


No TDAH, por exemplo, nem sempre existe aquela imagem de uma pessoa “hiperativa”. Pode aparecer como esquecimento, dificuldade de organização, procrastinação, dificuldade para administrar o tempo, perda de coisas e aquela sensação de estar sempre tentando dar conta de tudo.


No TEA, algumas mulheres aprendem desde cedo a observar as outras pessoas e imitar determinados comportamentos para conseguir se adaptar socialmente. Isso é chamado de camuflagem, ou masking.
Por fora, muitas vezes parece que está tudo bem. A mulher trabalha, estuda, cuida da casa, dos filhos, da família e de várias responsabilidades. Mas, por dentro, pode existir muito esforço, cansaço e uma sensação constante de estar tentando acompanhar tudo.


E é justamente por isso que o diagnóstico pode chegar somente na vida adulta. Muitas mulheres passaram anos ouvindo que eram distraídas, desorganizadas, exageradas ou que precisavam “se esforçar mais”. Só depois de adultas começaram a perceber que algumas dificuldades estavam presentes desde a infância.

Às vezes, isso acontece depois do diagnóstico de um filho ou de alguém próximo. A pessoa começa a pesquisar sobre o assunto e pensa: “Nossa, eu também me identifico com isso.”
Mas é importante lembrar: esquecer coisas, ter dificuldade de concentração, sentir-se sobrecarregada ou ter dificuldade nas relações sociais não significa, necessariamente, ter TDAH ou TEA.


O diagnóstico precisa ser feito por profissionais capacitados, levando em consideração a história de vida da pessoa e a forma como ela funciona em diferentes situações. Falar sobre diagnóstico tardio não é colocar um rótulo. É, muitas vezes, dar nome e compreensão para coisas que aquela mulher passou anos tentando entender. E quando existe informação e acolhimento, ela pode finalmente parar de se culpar por aquilo que talvez nunca tenha sido simplesmente “falta de esforço”.

*Este é um texto de opinião, de autoria da colunista Janaína Alves, e não reflete necessariamente a posição ou o posicionamento oficial do Nosso Bloco TV. O conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento com profissional de saúde mental qualificado.

Leia também: 10 Sinais de alzheimer que você não pode ignorar

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