“Você ainda vai ter outro.”
Talvez essa seja uma das frases mais dolorosas que uma mulher que perdeu um bebê pode ouvir.
Porque ela não perdeu apenas uma gestação.
Ela perdeu planos.
Perdeu expectativas.
Perdeu um futuro que já começava a imaginar.
E, muitas vezes, perdeu também a possibilidade de viver aquela maternidade da forma como sonhou.
Na Psicologia, entendemos que o luto gestacional é um luto real. Não existe um tempo determinado para parar de sentir. Não existe uma maneira “certa” de sofrer. Pode existir tristeza, culpa, raiva, silêncio, ansiedade, vazio… e até momentos em que parece que a vida voltou ao normal, para depois a saudade aparecer novamente.
E tudo isso pode fazer parte do processo de luto.
Por isso, precisamos parar de dizer:
“Você é jovem, pode ter outro.”
“Foi melhor assim.”
“Já passou.”
“Você precisa ser forte.”
Às vezes, a mulher não precisa de uma explicação. Ela precisa de alguém que reconheça que aquilo que ela perdeu era importante para ela. O acolhimento pode ser simplesmente dizer: “Eu sei que dói. Eu não vou diminuir a sua dor. Estou aqui com você.”
Buscar ajuda psicológica também pode ser importante para elaborar essa perda e encontrar, no seu próprio tempo, uma forma de continuar vivendo sem precisar apagar a história que existiu. Para toda mulher que já precisou se despedir de um bebê antes de poder segurá-lo nos braços: seu luto é legítimo. Sua história importa. Sua dor merece ser acolhida.
*Este é um texto de opinião, de autoria da colunista Janaína Alves, e não reflete necessariamente a posição ou o posicionamento oficial do Nosso Bloco. O conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento com profissional de saúde mental qualificado.
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