O norte goiano ganhou uma representante em uma das listas mais prestigiadas do agronegócio do país. A advogada e pecuarista Ana Amélia Paulino, presidente do Sindicato Rural de Porangatu, foi incluída na segunda edição da lista “As Cem Mulheres Poderosas do Agro”, da Forbes Brasil, publicada em quinze de outubro, Dia Internacional da Mulher Rural.
A primeira edição da lista saiu em dois mil e vinte e um. Agora, cinco anos depois, a revista retomou a seleção com cem nomes de diferentes regiões, atividades e gerações, de produtoras rurais a pesquisadoras, executivas e lideranças de entidades. Segundo a Forbes, a curadoria levou em conta três dimensões: o poder de decidir sobre recursos e pessoas, o impacto dessas decisões e a capacidade de influenciar outras pessoas a agir.
A primeira mulher a comandar o sindicato
Ana Amélia foi a primeira mulher a ocupar uma diretoria do Sindicato Rural de Porangatu e, no início de dois mil e vinte e quatro, tornou-se a primeira a presidir a entidade, que tem cinquenta e oito anos de história, segundo a Forbes. O posto tem peso: Porangatu tem o terceiro maior rebanho bovino do estado de Goiás, com cerca de quatrocentas e cinquenta e oito mil cabeças.
O feito é ainda mais raro quando se olha o cenário estadual. Dos cento e vinte e um sindicatos rurais de Goiás, apenas dez são presididos por mulheres.

Na gestão dela, o sindicato reformulou as principais feiras da cidade, que ficaram mais interativas e abertas ao público, e passou a ter espaços dedicados às mulheres, com palestras e capacitação. Ana Amélia também preside a comissão de equideocultura da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e já foi homenageada pela Câmara dos Deputados pela contribuição ao agro goiano.
Aprendeu a lida com a mãe
A história de Ana Amélia com o campo tem uma particularidade. Enquanto muitos pecuaristas herdam o ofício do pai, ela aprendeu a trabalhar na fazenda com a mãe, dona Leda, que cuidava da propriedade da família desde os anos setenta. O caminho não foi simples: no início, o próprio pai não acreditava que a filha pudesse assumir o comando das terras.

Formada em Direito, ela construiu carreira em São Paulo antes de decidir, por volta dos trinta anos, mudar de vida e se dedicar ao campo em Goiás. Hoje, à frente da Fazenda Barra das Onças, da família, comanda um rebanho de três mil bovinos da raça Nelore e uma criação de cavalos de raça, paixão que, segundo ela, entrou na vida dela em um momento difícil e se tornou parte da sua identidade. Ana Amélia é mãe da pequena Manuella.
“Somos igualmente capazes”
Ao falar sobre a presença feminina no setor, Ana Amélia costuma ser direta. Em entrevista ao Jornal Opção, resumiu a visão em uma frase: “A única diferença entre homens e mulheres no agro está na força física”. Para ela, quando as mulheres entram no agronegócio, percebem o quanto podem contribuir, e trazem um olhar voltado para crescimento e tecnologia.
Goiás bem representado
Ana Amélia não é a única goiana da lista. Também aparecem nomes ligados ao estado, como Camila Colpo, que preside o conselho da Boa Safra Sementes, de Formosa, e Nathália Secco, fundadora da Orchestra Ventures, de Rio Verde. A presença reforça o peso do estado de Goiás no agronegócio nacional, agora também reconhecido pela força das mulheres que lideram o setor.
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