Você já olhou para uma tarefa e pensou: “Eu preciso fazer isso, mas não consigo começar”?
Pode ser um trabalho da faculdade, uma atividade de casa, uma ligação ou até algo que levaria poucos minutos. Você sabe que precisa fazer, mas acaba adiando. Quando percebe, o tempo passou e aquela sensação de culpa aparece: “Por que eu sou assim?”.
Mas será que procrastinar é realmente preguiça? Nem sempre.
A procrastinação é um comportamento que pode estar relacionado à forma como lidamos com tarefas, emoções e desconfortos. Quando uma atividade parece difícil, cansativa, desagradável ou desperta medo de errar, nosso cérebro pode buscar algo que ofereça uma sensação de alívio mais imediato. É como se ele dissesse: “Se eu deixar isso para depois, agora não preciso lidar com esse desconforto”.
E é aí que o celular, as redes sociais, uma série ou até uma tarefa menos importante podem parecer mais interessantes. Naquele momento, fazer outra coisa traz uma sensação de alívio. O problema é que a tarefa continua esperando. Depois, podem surgir a culpa, a ansiedade e a sensação de que não damos conta.
Na Psicologia, entendemos que a procrastinação pode estar relacionada a diferentes fatores, como dificuldade de organização, ansiedade, medo de errar, perfeccionismo, falta de clareza sobre por onde começar ou dificuldade de lidar com emoções desagradáveis. Isso não significa que toda procrastinação tenha uma causa emocional ou que seja, necessariamente, um sinal de algum transtorno. Cada pessoa precisa ser compreendida dentro da sua realidade.
Mas existe uma mudança de olhar que pode ajudar muito: em vez de se perguntar apenas “por que eu sou tão preguiçoso?”, experimente perguntar “o que está tornando essa tarefa tão difícil para mim?” Talvez o problema não seja a tarefa inteira, mas o tamanho que ela parece ter na sua cabeça. Talvez você esteja tentando fazer tudo de uma vez, com medo de não conseguir fazer perfeito. Ou talvez esteja evitando uma sensação que ainda não sabe como enfrentar.
Começar pequeno pode ser uma estratégia. Dividir uma tarefa em etapas, escolher apenas o primeiro passo ou se permitir fazer algo de maneira possível, e não perfeita, pode ajudar. Procrastinar não significa que você é incapaz. Mas compreender o que está por trás desse comportamento pode ser o primeiro passo para mudar a forma como você lida com ele.
E fica uma reflexão para esta semana: qual tarefa você está adiando e o que, de verdade, pode estar dificultando esse começo?
*Este é um texto de opinião, de autoria da colunista Janaína Alves, e não reflete necessariamente a posição ou o posicionamento oficial do Nosso Bloco TV. O conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento com profissional de saúde mental qualificado.
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