Ser mãe é viver todos os dias entre o “eu preciso dar conta” e o “eu estou cansada”. E, muitas vezes, nessa tentativa de cuidar de todo mundo, acabamos esquecendo de cuidar de nós mesmas.
A cobrança aparece de várias formas: “Eu deveria ter mais paciência”, “poderia brincar mais com meus filhos”, “preciso cuidar melhor da casa”, “não posso perder a paciência”, “outras mães conseguem, por que eu não consigo?”. E, quando percebemos, estamos tentando ser perfeitas em uma função que, na verdade, não exige perfeição.
A verdade é que mãe também se cansa, se irrita, erra, perde a paciência e precisa de um tempo para respirar. Isso não faz de você uma mãe ruim. Faz de você uma pessoa.
É aí que entra a autocompaixão.
Ter autocompaixão não significa deixar de se cobrar ou deixar tudo de lado. Significa aprender a olhar para si mesma com mais compreensão. É trocar o “eu sou uma péssima mãe” por “hoje foi difícil, eu poderia ter agido diferente e posso tentar novamente”.
Porque existe uma grande diferença entre se responsabilizar pelos nossos erros e nos maltratar por causa deles. Uma mãe pode reconhecer que gritou e, ao mesmo tempo, entender que estava exausta. Pode pedir desculpas ao filho e também se perdoar. Pode querer melhorar sem precisar se sentir culpada o tempo inteiro.
Talvez o equilíbrio esteja justamente nisso: cobrar de si o necessário para crescer, mas não tanto a ponto de esquecer que você também precisa de cuidado. Você não precisa estar disponível o tempo todo. Não precisa fazer tudo sozinha. Não precisa ser a mãe perfeita das redes sociais. Seus filhos não precisam de uma mãe perfeita. Eles precisam de uma mãe presente, afetiva e humana.
Então, quando sentir que está fazendo tudo errado, pare por alguns minutos e pergunte a si mesma: “Se fosse uma amiga vivendo exatamente o que eu estou vivendo, o que eu diria para ela?” Provavelmente você seria muito mais gentil com ela do que tem sido consigo mesma.
Comece a oferecer a si mesma um pouco dessa mesma gentileza. Ser mãe já traz desafios suficientes. Você não precisa transformar a própria mente em mais um lugar de cobrança. Você pode querer ser uma mãe melhor sem deixar de reconhecer que, dentro das suas possibilidades, você já está fazendo o seu melhor.
E amanhã é outro dia… Você pode tentar novamente.
*Este é um texto de opinião, de autoria da colunista Janaína Alves, e não reflete necessariamente a posição ou o posicionamento oficial do Nosso Bloco TV. O conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento com profissional de saúde mental qualificado.
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