Todo brasileiro cresce ouvindo a mesma cena: Dom Pedro I às margens do riacho do Ipiranga, espada erguida, gritando “Independência ou Morte”. Mas cinco dias antes desse momento, o destino do Brasil já havia sido decidido, e uma mulher estava à frente do Conselho decisivo. Neste 7 de setembro, reunimos algumas curiosidades sobre a Independência que podem render um bom papo em família.
Um detalhe pouco lembrado da história é a atuação da princesa Maria Leopoldina, esposa de Dom Pedro I. Enquanto ele viajava rumo a São Paulo, ela ficou como regente interina no Rio de Janeiro. Diante de notícias de que Portugal preparava uma ação para reverter a autonomia do Brasil, Leopoldina convocou, em 2 de setembro de 1822, uma sessão extraordinária do Conselho de Estado, que decidiu por unanimidade pela separação de Portugal. Na sequência, ela enviou uma mensagem urgente recomendando que Dom Pedro proclamasse a independência, carta que chegou às mãos dele por volta das 15h do dia 7 de setembro, às margens do riacho Ipiranga. Foi esse recado que impulsionou o famoso grito horas depois.
Aliás, esse é outro detalhe curioso: apesar de toda a comemoração acontecer em 7 de setembro, a decisão do Conselho de Estado presidido por Leopoldina saiu cinco dias antes. A data que virou feriado nacional marca o momento em que Dom Pedro I recebeu a mensagem e fez a proclamação pública, não o instante da decisão política que a antecedeu.

Maria Quitéria, a baiana que lutou disfarçada de homem
Uma das histórias mais bem documentadas por historiadores é a da militar baiana Maria Quitéria de Jesus. Nascida em Feira de Santana, ela pediu ao pai autorização para lutar na Guerra da Independência da Bahia e ouviu como resposta que “mulheres fiam, tecem e bordam, não vão à guerra”. Mesmo assim, com o corte dos cabelos e roupas emprestadas do cunhado, ela se disfarçou usando o nome do irmão falecido, João Maria da Silva, e conseguiu ingressar no 6º Batalhão de Voluntários da Bahia. Foi descoberta quando o próprio pai, procurando pela filha desaparecida, a reconheceu entre os soldados. Ainda assim, por sua habilidade em combate, recebeu autorização para continuar na guerra, participou ativamente de pelo menos três batalhas e mais tarde foi condecorada pelo próprio Dom Pedro I na Corte, no Rio de Janeiro, tornando-se a primeira mulher a integrar oficialmente as fileiras do Exército brasileiro.
Nada de cavalo branco!
Esqueça a imagem grandiosa de cavalos brancos e imponentes: para subir a Serra do Mar rumo a São Paulo, a comitiva de Dom Pedro I usou mulas, animais mais adaptados a viagens longas e ao terreno acidentado da época. A cena tão conhecida hoje foi eternizada décadas depois pelo pintor Pedro Américo, no quadro “Independência ou Morte”, responsável por moldar boa parte da imagem romantizada que conhecemos até hoje.

O Brasil precisou pagar para ser reconhecido como independente
Por fim, uma curiosidade que mostra que como toda independência, a brasileira também não saiu de graça: para ser reconhecido oficialmente por Portugal, o Brasil teve que pagar uma indenização em libras esterlinas. Sem dinheiro em caixa, o país precisou recorrer a um empréstimo com a Inglaterra, dando início a um ciclo de dívida externa que acompanharia a nação por muitos anos depois da separação.
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