Como a moda country superou o estigma ‘caipira’ para virar linguagem global de estilo

Chapéu de aba larga, bota de couro gasto, fivela grande no cinto. Por muito tempo, esses itens carregaram um estigma...

Foto: Reprodução / Georgia Adriano

Chapéu de aba larga, bota de couro gasto, fivela grande no cinto. Por muito tempo, esses itens carregaram um estigma injusto: eram vistos como “coisa de caipira”, peças ligadas apenas à lida na roça, distantes do que se considerava “moda de verdade”. Esse cenário mudou, e mudou radicalmente. Hoje, o estilo country deixou de ser restrito aos rodeios e ocupa espaço nas semanas de moda, nas redes sociais, nas lojas de shopping e no closet de quem talvez nunca tenha pisado numa fazenda na vida, mas que sente, ao vestir aquela bota, algo parecido com voltar pra casa.

Foto: Reprodução / Instagram Beyoncé

Um dos momentos que marcaram essa virada global, foi a chegada do álbum “Cowboy Carter”, de Beyoncé, lançado em 2024. A cantora já vinha sinalizando a estética desde que apareceu de chapéu no Grammy daquele ano, mas foi o disco, com faixas como “Texas Hold ‘Em”, que transformou o “cowboycore” em fenômeno dentro da cultura pop. Ela não estava sozinha nesse movimento: meses antes, Pharrell Williams já havia levado a temática western para a semana de moda masculina em Paris, à frente da grife Louis Vuitton, com a coleção “LVirginia”, que misturou jeans bordado, franjas de couro e detalhes turquesa à tradição da grife francesa.

Louis Vuitton masculino por Pharrell Williams – inverno 2024 — Foto: Divulgação

O impacto foi rápido e perceptível em toda a indústria. Segundo a consultoria de tendências WGSN, referência mundial no setor, o movimento já vinha sendo mapeado desde 2023 dentro de macrotendências ligadas à ancestralidade e ao resgate de tradições, mas foi o duplo impacto de Pharrell e Beyoncé que confirmou a virada da estética country para o mainstream global da moda naquele momento. Não por acaso: quando duas potências culturais tão diferentes escolhem a mesma linguagem visual, é sinal de que ela toca em algo maior do que estética, ela toca em memória.

Louis Vuitton por Pharrell Williams – inverno 2024 — Foto: Divulgação

Da margem ao topo, sem perder a raiz

Um dos fatores que explicam essa virada de percepção é justamente a forma como a estética foi reinterpretada. Analistas de moda apontam que o estilo western de 2026 passou por uma transformação para se tornar algo mais funcional e útil para ser usado em diversas ocasiões, desde um chapéu de feltro bem cortado, bota western elegante, jaqueta de couro estruturada, sempre com um toque de sofisticação que dialoga com o guarda-roupa do dia a dia.

Foto: Georgia Adriano Batista em collab com Paula Torres Brand

Xadrez, franjas, camurça, animal print e tons terrosos completam o repertório visual da tendência, que hoje aparece tanto em peças statement de grifes de luxo quanto em looks de rua. E o mais bonito nisso tudo é que, mesmo elevado ao luxo, o country não perdeu a alma: continua remetendo à terra, ao trabalho no campo, ao avô de bota gasta, à avó com lenço na cabeça, ao almoço de domingo em família.

Foto: Andressa Suita para Carmen Steffens

O reflexo dessa tendência vai muito além da roupa no corpo. A estética country hoje invade vitrines, editoriais de moda, decoração de interiores, ambientação de festas e eventos, ganhando o status de verdadeiro estilo de vida, e não apenas mais uma trend passageira das redes sociais. Nas ruas de cidades como Tóquio, Londres e São Paulo, o chamado “cowboy urbano” já é figura recorrente, misturando peças vintage com sportswear contemporâneo, prova de que essa estética atravessa fronteiras culturais e ainda assim carrega o mesmo recado: raiz, natureza e chão.

Foto: Georgia Adriano Batista / Reprodução / Redes Sociais

Por que o country nunca sai completamente de moda?

Diferente de outras tendências que vêm e vão em poucos meses, o estilo raiz carrega algo que vai muito além do figurino: uma identidade afetiva. Ele remete à vida no campo, à ideia de comunidade reunida ao redor de uma mesa farta, à festa com música ao vivo, à terra que sustenta e que também acolhe, à tradição passada de avô para pai, de pai para filho.

Num mundo cada vez mais acelerado, líquido, descartável e hiperconectado, onde tudo parece passageiro, substituível e as relações humanas cada vez mais distantes fisicamente, essa estética resgata exatamente o oposto disso: pertencimento e afetividade. É por isso que vestir uma bota western ou um chapéu de feltro, hoje, não é só seguir uma tendência da moda, é, de alguma forma, se reconectar com as raízes campesinas, se reconciliar com a terrra e ter aquela sensação de chão firme debaixo dos pés.

Foto: Reprodução / Georgia Adriano / Fabrício Batista

Talvez seja exatamente por isso que o country nunca desaparece de vez do radar da moda. Ele pode ficar mais discreto por temporadas, mas sempre volta com força total. Por trás da fivela estilizada, das franjas e do chapéu, existe uma narrativa que atravessa gerações, e que fala direto ao coração de quem, mesmo morando na cidade grande, nunca deixou de carregar um pedaço do campo dentro de si.

Leia também: “Primeira-dama do sertanejo”: Andressa Suíta chama a atenção com detalhe de fé na Cavalgada do Embaixador

Gostou da matéria? Compartilhe!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

mais populares

RECEBA AS MELHORES NOTÍCIAS DO DIA

Fique por dentro de tudo que acontece no mundo dos famosos e da TV.

As principais noticias do Brasil e do mundo, com credibilidade, agilidade e entretenimento para você.

mais populares

Chapéu de aba larga, bota de couro gasto, fivela grande no cinto. Por muito tempo,...

Nesta quinta-feira (10), o condomínio Aldeia do Vale, em Goiânia, um dos endereços mais badalados...

A contagem regressiva chegou ao fim. Nesta terça-feira (8), José Leonardo, filho caçula de Virginia...

Um domingo (6) que já entra para a lista dos mais especiais da vida de...

Todo brasileiro cresce ouvindo a mesma cena: Dom Pedro I às margens do riacho do...