Quando um filho recebe um diagnóstico, muitos pais também precisam de um tempo para entender e reorganizar tudo aquilo que haviam imaginado para o futuro. Não é só uma notícia, é um reajuste inteiro de expectativas, planos e até de identidade, a identidade de pai e de mãe que eles vinham construindo até ali.
Podem surgir medo, culpa, tristeza, insegurança e até a sensação de estar vivendo um luto. E isso costuma pegar muitos pais de surpresa, porque ninguém espera sentir luto por um filho que está vivo, presente, bem ali na sua frente.
E isso não significa que esses pais não amem seus filhos. Pelo contrário. Significa que estão tentando lidar com uma realidade diferente daquela que haviam planejado. É possível amar profundamente e, ao mesmo tempo, precisar de tempo para se adaptar a um caminho que não era o esperado.
É importante falar sobre isso sem julgamentos. Existe ainda muito silêncio em volta desse sentimento, como se sentir luto fosse sinônimo de não aceitar o filho, e não é. É só parte do processo humano de reconstruir expectativas.
O diagnóstico não apaga o filho que eles conhecem, não diminui o amor e também não define tudo o que aquela criança será capaz de viver. Muitas vezes, o diagnóstico chega como uma resposta, depois de meses ou até anos de dúvida, de comparação, de tentar entender por que algumas coisas pareciam diferentes.
Às vezes, o que os pais precisam nesse momento não é ouvir:
“Você precisa ser forte.”
É ouvir:
“Está tudo bem você precisar de um tempo para entender. Você não está sozinho.”
O acolhimento também faz parte desse processo. E esse acolhimento pode vir da família, dos amigos, de um profissional, ou até de outros pais que já passaram por isso e sabem exatamente o peso dessa fase. Ninguém precisa atravessar esse momento sozinho, e ninguém precisa fingir que está tudo bem o tempo todo.
Com tempo, informação e apoio, muitos pais relatam que o medo inicial dá lugar a um tipo diferente de força, uma força que nasce de aprender, junto com o filho, um jeito novo de caminhar.
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*Este é um texto de opinião, de autoria da colunista Janaína Alves, e não reflete necessariamente a posição ou o posicionamento oficial do Nosso Bloco TV. O conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento com profissional de saúde mental qualificado.

