Para fechar o Outubro Rosa na coluna Mente da Mulher, conversei com alguém que conheço bem e que acompanha de perto, no consultório, o que muitas mulheres sentem e preferem não perguntar: meu marido, o doutor José Wilson Sardinha, ginecologista e obstetra com mais de trinta anos de experiência. Ele falou sobre sinais que não devem ser ignorados, exames, a ansiedade da espera por um resultado e o que cada fase da vida pede. Confira!

Existe a ideia de que o câncer de mama sempre aparece como um nódulo. Por que esse mito é perigoso e quais outros sinais a mulher deve observar?
Esse mito é perigoso porque o câncer de mama nem sempre aparece como um caroço. A mulher também deve observar mudanças no formato ou no tamanho da mama, alterações na pele, vermelhidão, retração do mamilo, saída de líquido pelo mamilo, principalmente com sangue, ou feridas que não cicatrizam. Nem toda alteração significa câncer, mas toda mudança nova e persistente merece avaliação médica. Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de um tratamento bem-sucedido.
Quem tem histórico de câncer de mama na família precisa começar o acompanhamento antes?
Mulheres com histórico familiar, principalmente de parentes próximos que tiveram câncer de mama ou de ovário em idade jovem, precisam conversar com o ginecologista para avaliar o risco e definir quando começar o acompanhamento. Em alguns casos, é necessário iniciar antes e fazer exames específicos.
O autoexame ainda tem valor? Como a mulher pode conhecer o próprio corpo sem viver com medo?
Conhecer o próprio corpo continua sendo importante, mas o autoexame não substitui a mamografia nem os exames indicados pelo médico. A mulher deve observar suas mamas no dia a dia, sem transformar isso em motivo de preocupação constante.
Além da mama, quais exames não podem ficar atrasados? Qual a importância do preventivo?
É importante manter os exames ginecológicos em dia. O preventivo do colo do útero ajuda a identificar alterações que podem evoluir para câncer. A idade e o intervalo dos exames dependem das recomendações atuais e do histórico de cada mulher.
O que toda mulher precisa saber sobre o HPV?
O HPV é um vírus muito comum, transmitido principalmente pelo contato sexual, e pode atingir mulheres e homens.
Muitas mulheres adiam a ida ao ginecologista por vergonha, medo do resultado ou falta de tempo. O que dizer para quem está há muito tempo sem fazer uma consulta?
Minha mensagem é: não deixe o medo impedir você de cuidar da sua saúde. Não existe motivo para sentir vergonha por estar há muito tempo sem uma consulta. O importante é começar agora. Mesmo que você não tenha sintomas, o acompanhamento ajuda a prevenir doenças e identificar problemas no início. Cuidar de si não é luxo, é necessidade.
No consultório, como você percebe o peso emocional de esperar por um resultado? Que conselho dá a quem está nessa fase?
A espera por um resultado pode gerar muita ansiedade, medo e insegurança. Muitas mulheres imaginam o pior antes mesmo de saber o que está acontecendo. Minha orientação é evitar conclusões antecipadas e buscar informações com profissionais de confiança. Um exame alterado não significa necessariamente câncer. Se o medo estiver muito intenso, conversar com alguém de confiança ou procurar apoio psicológico também pode ajudar.
O estresse e a ansiedade realmente influenciam o ciclo menstrual e a fertilidade? O que é verdade e o que é exagero?
Sim. O estresse intenso pode interferir nos hormônios que regulam a menstruação e, em algumas mulheres, provocar atrasos ou alterações no ciclo. Também pode afetar o sono, a libido e a vida sexual. Porém, não podemos atribuir toda dificuldade para engravidar ao estresse. A fertilidade depende de vários fatores, tanto da mulher quanto do homem. Por isso, é importante investigar as causas e oferecer cuidado físico e emocional, sem culpar a mulher pelo que está vivendo.
Quais são os cuidados mais importantes depois dos vinte, dos trinta, dos quarenta e na perimenopausa e menopausa?
Em todas as fases, é importante manter consultas preventivas, alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e vacinação em dia. Aos vinte anos, o foco inclui prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, vacinação contra o HPV, saúde sexual e reprodutiva e início do rastreamento do colo do útero conforme a idade indicada.
Aos trinta, é importante manter os exames preventivos, conversar sobre planejamento familiar e observar mudanças no ciclo menstrual. A partir dos quarenta, vale reforçar a avaliação dos fatores de risco, a saúde das mamas e a prevenção de doenças como diabetes e pressão alta. A mamografia deve seguir a faixa etária e as recomendações aplicáveis a cada mulher.
Na perimenopausa e na menopausa, é importante conversar sobre ondas de calor, alterações do sono, ressecamento vaginal, saúde dos ossos e do coração. Existem tratamentos que podem melhorar a qualidade de vida, e cada caso deve ser avaliado individualmente.
Qual conselho você daria à mulher que está lendo esta entrevista?
Meu conselho é que você não espere sentir dor ou perceber alguma alteração para procurar atendimento. Mantenha suas consultas, faça os exames recomendados para sua idade e seu histórico e procure ajuda quando notar mudanças no corpo. Também cuide da sua saúde emocional e reserve um tempo para você. Prevenção não é apenas fazer exames: é construir hábitos que protejam sua saúde ao longo da vida.
Qual mensagem de Outubro Rosa você gostaria que ficasse, para além da época da campanha?
O Outubro Rosa é um lembrete, mas o cuidado precisa acontecer durante todo o ano. Quero que cada mulher entenda que sua saúde merece atenção, que ela não precisa enfrentar seus medos sozinha e que procurar ajuda não é sinal de fraqueza. A prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento fazem diferença. Cuide de você o ano inteiro, porque sua saúde importa todos os dias.
Sobre o entrevistado: José Wilson Sardinha é médico ginecologista e obstetra, com atuação em gestação de alto risco, ultrassom e cirurgias. CRM-GO 7126. Instagram: @drjose_wilson
Sobre a colunista: Janaína Alves é estudante de psicologia e criadora de conteúdo, e assina a coluna Mente da Mulher. Instagram: @psi_janainaalvessardinha e @janaina.allves_.
*Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou orientação médica individualizada. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure sempre um profissional de saúde qualificado.
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